Em meados do século III, a perseguição aos cristãos era tal que muitos se viram obrigados a retirar-se das cidades. No inicio do sécul...

O desenvolvimento da Vida Monástica

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Em meados do século III, a perseguição aos cristãos era tal que muitos se viram obrigados a retirar-se das cidades. No inicio do século IV, a situação piorou ainda mais, e as perseguições se intensificaram . Aqueles que se tinham retirado anteriormente, deveriam permanecer por mais tempo. Acostumaram-se tanto a viver nestes lugares a ponto de estabelecer lá uma morada permanente, longe da sociedade do mundo. 

Cessaram as perseguições , mas a perseguição mundana havia chegado a ser um elemento inseparável da vida dos cristãos, e muitos não podiam conceber uma vida livre de perseguidores. Deste modo se converteram em perseguidores deles mesmos: subiram para as montanhas e se submeteram as privações e sofrimentos. No lugar do "sangue do martírio", resultante da luta entre homens violentos, submetiam-se, eles mesmos "ao martírio da consciência", que consistia na luta contra os demônios. Tempos depois, as montanhas converteram-se em moradas dos ermitões e, gradativamente, em moradas de comunidades organizadas de monges. Com o passar do tempo, cada vez mais os lugares remotos eram buscados como refúgios para os ascéticos, como por exemplo, o Monte Athos e Meteora. Quanto mais longe viviam os ascetas, maiores eram a reverência e a admiração que evocavam das pessoas comuns. 

O primeiro ermitão conhecido foi Paulo de Tebas, mas o primeiro guia da vida no deserto foi Antão, o Grande (356,) cuja vida foi escrita com perspicácia e amor por Atanásio, o Grande. Viveu no deserto mais de setenta anos e só ia à Alexandria quando a ocasião requeria, ou seja, quando sabia de alguma perseguição, dava ânimo aos que sofriam. Sua fama chegou a Constantino, o Grande, que recorria a ele com freqüência para ter seus conselhos, mediante carta. Mas em particular despertou o entusiasmo de muitos homens simples que imitaram seu exemplo. Levavam uma vida de total isolamento, e somente quando necessitavam conselhos visitavam S. Antão ou algum outro monge maior, ou um abade. Às vezes sucedia que um desses monges maiores falecia, mas passavam dias até que os outros soubessem e pudessem sepultá-los. Cada anacoreta organizava sua própria oração, refúgio, vestuário, alimento e trabalho. O trabalho consistia principalmente em fazer objetos de palha (artesanato) que eram vendidos nos mercados da região. Somente aos domingos caminhavam até a Igreja mais próxima, para rezarem juntos e receber a Sagrada Comunhão. Deste modo, a vida dos ermitões ficava fora do controle total da Igreja. Era evidente que o isolamento absoluto conduzia a ações arbitrárias e não aderia a todas as exigências do Evangelho cristão. Em primeiro lugar, não havia supervisão espiritual dos ermitões e em segundo, suas atividades eram concentradas no serviço ao próximo. Disto se deram conta alguns dos grandes ascetas que empreenderam uma oportuna reforma: Hilário, na região de Gaza; Amônio, em Nitria e Macário em Sketis (Egito). Os três viveram durante o século IV. Fizeram do principal mercado da região, onde os monges vendiam seus produtos, seu centro de ação. Estes mercados receberam o nome de "lavras", mais tarde os estabelecimentos de mercado junto aos monastérios receberam este mesmo nome. 

Os eremitões viviam em numerosos aposentos construídos em torno às lavras a tal distancia que não se podiam ver nem ouvir uns aos outros. Nesta vida comunitária, a independência se submetia a certo limite; ademais, na ascese era possível um elemento de flexibilidade. De tempo em tempo, o chefe da lavra examinava os aposentos e exercia certo grau de autoridade sobre os monges. Todos se reuniam pra a oração em comum aos sábados e domingos.


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